quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O brincar na Educação Infantil

(Recorte do artigo publicado na Revista Educacional em 2011 com duas colegas de Mestrado – Mônica David e Elisângela Gusi)
Boa noite, caros Leitores! Hoje a reflexão volta-se ao brincar na Educação Infantil. A primeira etapa de suma importãncia é identificarmos como é visualizado esse processo dentro da sala de aula e como participamos ou contribuímos para que ele aconteça no cotidiano dos nossos pequenos.
Se observarmos o comportamento de uma criança brincando, pode-se perceber sua capacidade de resolver diferentes tipos de problemas, utilizando sua imaginação, sem tirar o seu sentido lúdico. É por meio do brincar que a criança se torna capaz de atribuir alguns significados aos objetos dados a ela, de desenvolver sua capacidade de abstração e de começar a agir diferente do que vê, mudando sua percepção sobre os mesmos.
É preciso conhecer como as crianças interagem com os objetos culturais que a elas são disponibilizados? Como elas se apropriam dos brinquedos industrializados? Como os brinquedos e brincadeiras instigam o desenvolvimento da sua criatividade? Como e de que elas brincam hoje? Que brincadeiras são desenvolvidas na Educação Infantil que proporcionam a formação de pessoas capazes de atuar na sociedade de forma crítica e criativa, auxiliando no processo global das crianças?
Para isto, é necessário que a professora de Educação Infantil compreenda a importância do brincar no processo de aprendizagem das crianças, orientando e ressignificando atividades que contemplem o desenvolvimento de habilidades e competências oriundas de sua faixa etária.
O importante é termos consciência de que as crianças enquanto brincam, também exercem determinadas funções sociais, pois, no interior de uma brincadeira a ela distingue “[...] vários tipos de reação grupal estimando as consequências agradáveis ou desagradáveis que eles acarretam”. (Spréa, 2010, p.09). Estas vivências tornam-se primordiais no desenvolvimento global das crianças, pois permitem que elas lidem com as frustrações, descobrindo o mundo no qual estão inseridas.
O brincar tem para elas um papel fundamental para seu desenvolvimento biopsicossocial, pois é brincando que a criança se desenvolve, explora característica de personalidade, fantasias, medos, desejos, criatividade e elabora o mundo exterior a partir de seu campo de visão.
O diferencial dos tempos em que eu era criança é que as crianças criavam seus próprios brinquedos, de acordo com sua criatividade e imaginação. Cordeiro (1996) diz que:
[...] antes não tinham lojas de brinquedos como hoje. [...] os meninos faziam brinquedos com ossos de galinha e, no tempo da melancia faziam figuras de pessoas com a casca da melancia [...] brincava também com boneca de milho, e com cacos de vidros: os grandes eram os pais e os pequenos as crianças. A gente se apegava com tudo que parecesse brinquedo. O osso também: tinha uma parte do osso que parecia um bonequinho, a gente pegava e brincava ( p. 72).
Já o brincar atual está muito diferente de anos atrás, onde as crianças já têm o brinquedo pronto nas lojas de todas as cidades e está impregnado de informações que a mídia traz. Bonecas que falam, andam, reclamam; carrinhos que batem e amassam; jogos eletrônicos que estimulam a violência; enfim, um montante de peças e plásticos coloridos texturizados, que envolvem as crianças em uma rápida exploração, para logo estarem esquecidos nas prateleiras de suas residências.
Se imaginarmos que a criança pode desmontar o brinquedo de custo tão elevado, que os pais compraram há pouco, esse fato pode ser motivo de conflito no recinto familiar. E daí chegamos à reflexão: o motivo desses brinquedos não é, cada vez mais, promover a inserção de toda a família? Hoje em dia as crianças encontram-se em um espaço de comodismo que, na maioria das vezes, sua criatividade fica aprisionada. Como os brinquedos já trazem o óbvio e o estruturado, para que a criança precisa criar e ousar? A fala da boneca já está lá, a sequência já está pronta. Dessa forma, fica muito comum a criança saber lidar com o previsto, onde seu campo de atuação já está traçado, redigido, delimitado; mas e o inusitado, mas e quando algo dá errado? A frustração, que nunca é bem vista, precisa ser vivida e apreendida. Mas como aprender a lidar com a frustração se é tudo tão previsível na vida das crianças? Eis o grande desafio para pais e educadores deste século.
A criança precisa criar, experimentar, ousar, tentar, enfim, inserir-se nas mais diversas situações-problemas, por meio do contato que estabelece com outras crianças, com o adulto, com objetos e com o meio.  O brincar sozinha, para a criança, também é importante, mas o brincar com o outro, possibilita uma elaboração, de sua parte no convívio social. É o momento de experienciar! Viver o inusitado, o incerto, o novo e a troca são alguns fatores essenciais para a formação social da criança.
Para o ambiente de ensino-aprendizagem o brincar é um facilitador de observação e acompanhamento das crianças em âmbito não só cognitivo, como também afetivo, social e emocional, pois “por meio das brincadeiras os professores podem observar e constituir uma visão dos processos de desenvolvimento das crianças em conjunto e de cada uma em particular, registrando suas capacidades de uso das linguagens, sociais, afetivas e emocionais que dispõem”. (PCN-INF 1998).
Na Educação Infantil, muitas vezes, os caminhos pedagógicos escolhidos não são compreendidos pela família e por nossa sociedade, em alguns momentos, pela falta de conhecimento. No entanto, o brincar envolve muitos aspectos que colaboram com o desenvolvimento das crianças se trabalhado de maneira planejada.
"Brincar com crianças não é perder tempo, é ganhá-lo; se é triste ver meninos sem escola, mais triste ainda é vê-los sentados enfileirados em salas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor para a formação do homem".  Carlos Drummond de Andrade

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