Bom dia, caros leitores! As pessoas começaram a perguntar qual é meu posicionamento em relção ao aborto dos bebês anencefálicos. Esse tema é polêmico e remete o ser humano aos seus princípios e valores, assim como às questões sociais, as crenças e ao meio em que vive no momento. Posso exemplificar minha ação no momento em que uma amiga solicitou ajuda. A primeira vez que fui procurada para acoselhamento, lembro-me que sai de casa para a visita e no trajeto eu pensava: E agora? O que faço nessa situação que ela se encontra fragilizada pelo ocorrido e vítima da violência sexual? E continuei a reflexão: E a criança o que tem a ver com tudo isso? Naquele instante elaborei minha concepção sobre a prática do aborto e fui conversar com ela, que esperava apoio a prática, mas já entrei em sua casa de outra maneira, pois não conseguirei jamais compactuar com tal ação.
Hoje parto do princípio que a partir do momento que a mãe descobre e tem o resultado positivo de uma gravidez, ela já está gerando uma vida, pois o coração já bate e a formação ou má formação do feto evolui. Em nenhum caso vejo razão para a retirada precoce de uma criança ou estimulação para tal.
Como Educadora e uma pessoa repleta de valores, não aconselho a prática do aborto. Sou a favor do presseguimento da gravidez em qualquer circunstância, independente dos meus valores cristãos, pois acredito que aquele feto ou aquela criança ainda não tem voz para se defender e dizer como nós tivemos a oportunidade de estarmos aqui, que ela também quer, ou pelo menos quer o direito de lutar por isso, livre de julgamentos de perfeições ou imperfeições.
Os dias de vida úteis na terra não temos como mapear, então que sejam vividos intensamente pela mãe, pelo pai e pelos reponsáveis. Se estou sendo egoísta? Tenho certeza, dentro da minha concepção, que não estou. Dou valor a vida sem medir troféus. Se for interrompida durante os meses de gravidez por aborto espontâneo, há uma explicação, mas não tenho como colaborar com a indução do processo.
O mundo está assim agora! Prático para suas conviniências. Mas e daí? É só da perfeição que estamos aptos a gerar, criar e educar? E a evolução como ser humano, as experiências que são colocadas no nosso caminho, de que maneira enfrentamos? Abrindo mão, então? Não concordo, que alguns concebam a mãe esse direito. Vejo que ao invés disso deveriam dar o apoio necessário com tratamentos psicológicos, estrutura familiar e etc. É muito fácil abrir mão, pronto e acabou-se. Quantas famílias têm testemunhos com crianças anencefálicas que ultrapassam as primeiras horas de vida, assim como outros portadores de necessidades especiais. Esses podem ser chamados de guerreiros, que promovem a vida, amam e se dedicam enquanto vida e horas o filho tiver na terra. Vamos repensar e parar de pensar, muitas vezes, apenas no nosso bem estar.
Um dia lendo a ferramenta de comunicação de uma amiga, me chamou atenção suas palavras e assim sempre concordei: "
"O aborto não é, como dizem, simplesmente um assassinato. É um roubo... Nem pode haver roubo maior. Porque, ao malogrado nascituro, rouba-se-lhe este mundo, o céu, as estrelas, o universo, tudo. O aborto é o roubo infinito". Mário Quintana

Como ex-advogada(se é que essa condição é possível) sempre pensei de maneira diferente, prática mesmo: ora se vai morrer ao nascer, por que perpetuar o sofrimento dos pais então? E este tema era assunto recorrente nas rodas jurídicas, com respeito à sua Constitucionalidade, debatíamos se essa decisão seria de Poder do Estado ou uma escolha livre dos pais. Depois de ler o que vc escreveu, com tanta propriedade, concordo com tudo que vc defendeu Aninha, acho perfeito, uma consideração sob uma perspectiva maravilhosa, de amor à vida em primeiro lugar. No entanto,continuo acreditando que esta decisão não cabe ao poder estatal, pois a mulher que gera e carrega a VIDA, como você mesma enfatizou, deve ter autoconsciência suficiente para entender o que pode supotar, entre outras palavras, acredito ser uma decisão de foro íntimo. Mas isso seria um mundo perfeito, onde todos teriam acesso à educação e cultura, e seriam capazes de refletir e arcar com as consequências das próprias escolhas. Isso ainda não acontece na nossa sociedade. Infelizmente, esse é um modelo de faz-de-conta. Para a população em geral, fica mais fácil a visão maniqueísta, de certo ou errado. Neste tema, não acredito que exista certo ou errado, existe o poder de escolha, sem juizos de valor, pois julgar aquele que opta pelo aborto é muito perverso.
ResponderExcluir"Concordo com você, Ana Regina Braga!! Seu texto está formidável..conduzindo as pessoas a uma reflexão baseado nos preceitos humanos e ainda Permissão e Vontade de Deus sobretudo! Tudo ocorre de acordo com Permissão DEle...e muitas vezes passamos por provações para nos tornamos mais fortes e ainda aprendermos cada vez mais sobre esse amor incondicional e surreal!!!" Andrezza Lima
ResponderExcluirQueridas Luciana e Andrezza esse é o exercício que tanto buscamos; a reflexão! Para agirmos em qualquer tema abordado precisamos primeiramente nos apropriar daquilo, para formar concepção.
ResponderExcluirLuciana não há certo ou errado, certamente no caso do aborto. Só é preciso instruir as mulheres do que é possível ou não nessa prática e das consequências que isso pode trazer para sua caminhada, pois esse é um caminho irreverssível.
Muito bom abordar temas que mobilizam a opinião das pessoas. Gostei muito dos posicionamentos. Isso mostra que iniciamos uma reflexão, um avanço, uma busca pelo conhecimento. Bom, se todo ser humano, um dia chegasse nesse nível de argumentação. Obrigada pela colaboração. Ana Regina
Esse tema realmente é muito polêmico, posso falar por mim, sem julgar ninguém, pois somente quem vive é que sabe, mas penso que o amor por um filho é preexistente, não precisa ver o rosto, a simples notícia da gravidez desperta o amor, então por mais que saibamos que o bebê tem problemas, resta sempre a esperança, a fé em Deus!! Ele que nos deu o dom da maternidade, penso que só Ele pode tirar. A maternidade por si só é um milagre, porque não esperar por outros milagre. Entrego minha vida sempre nas mãos de Deus, e essa sim é a melhor opção! A que nunca erra...
ResponderExcluirAninha, você se superou, foi o melhor de todos os seus artigos!
ResponderExcluirParabéns pela coragem e serenidade com que abordou um assunto que deixa inúmeras mulheres com culpa e peso na consciência pelo resto de suas vidas!
Bjs, Tia Flavinha
Aninha, esse tema não poderia ser mais polêmico, sua abordagem nos leva a uma profunda reflexão, porque coloca a vida e o amor na mesma dimensão. Eu não creio que exista certo ou errado na tomada de decisão por um aborto, portanto, não deveria colocar a mãe como ré, porque se o amor não brotou em seu coração, talvez ela não esteja preparada para o que pode vir a acontecer no futuro. Mas também essa decisão não pode ser do governo que trataria esse assunto de forma fria, e como você mencionou, apenas para se livrar de um problema. Parabéns. Mazé
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